O cheiro do barulho da chuva batendo no telhado da guarita;
A cor dos passeios de bicicleta, verdes como a língua do 'Biruta';
A grande casa na árvore, com seus almoços servidos na mesa da barriga;
Os bolinhos de terra, que deviam ter gosto gostoso, pois cheiravam bem;
Os instrumentos feitos de latas, garrafas, afinados com o tempo;
Os móveis de madeira, com flores azuis pintadas, feitos à mão pelo avô:
Ilustrações de ovnis, com o colorido mais diferente que já vi, lindos;
A pitangueira plantada escoltada por tijolos - não quebre;
A goiabeira, o monte de saibro, e as formigas 'lava-pés'.
O Chifre do Diabo, enterrado no meio do caminho, na represa;
Grilos, Vagalumes, paca tatu cutia não, gato mia, amarelinha;
Minha bolsa de professora que sumiu no sítio um dia;
Brutus, Paloma, Lili. Meu cavalo alazão;
Peter Pan.
(Areia da grossa, areia da fina, areia me faça ficar PEQUENINA!)
Trem da Alegria, ursinhos Gummy, ZILLION;
Histórias de assombrações, rede na beira da piscina;
Cheiro de eucalipto, cheiro de bambusal;
Cabana no banheiro, casa na sala, berço nos sofás;
Escaladas nos batentes das portas, corredor, tombo;
Caminhão de fumaça da dengue;
Céu vermelho, ventania, telhados voando, tempestade;
Círculo no sol, longe. Água perto. Muita água;
Doce de leite de Cabra, Leite de cabra, baias, Dolly;
Árvores frutíferas, Tim Maia e morangos;
Amoras e o roxo, e flores de maracujá...
Meus melhores momentos de infância, em sua maioria... eu e Gaia, Gaia e eu.
(Índigo, Starchild)
http://www.orlog.com.br/esoterico/286/As-Criancas-Indigo/auto-ajuda/online
quinta-feira, 2 de outubro de 2008
*Contos* (e só contos)
Ele era uma criança... eu sabia.
Uma criança da noite, mas já um homem do dia.
Veio em minha direção, 'identificável', e como se fosse ilusão, acabou por se aconchegando nas palavras de meus dias.
No início achei estranho: 'porque tanta amizade?' Dada de bandeja, assim, não se vê tão fácil não.
Por hora pensei ser passageiro. Por hora pensei que logo logo enjoaria.
Mas nada disso aconteceu, e dia após dia lá estava ele, bela criança minha.
E não apenas próximo fisicamente, abriu uma brecha em meus sentidos e se jogou, calmamente, nas entranhas remoídas e doloridas há tempos. Parecia nem perceber. Parecia fazer sem querer.
E isso me encantava, cada dia mais.
Como pode? Não vês que sou monstruosa criatura, sedenta por mutilar-lhe os sonhos e crenças; por arrancar de ti toda a fé no conhecido e morno?
Eis que me surpreendo, e a criança sabe demais.
Pronto. Já não posso mais me culpar por todos os passos dados.
E a criança quis se alimentar. Mas nisso ainda não é prática. Mas isso ainda não sabe escolher. Acaba por trazer para si preza filhote. E filhote não deve ser alimento para essa fome.
Não a fome que sente quem 'sabe demais'.
Existem pessoas que simplesmente não estão aqui, embora pareçam estar. Existem pessoas que vão lá dentro... longe. E a cada passo, essa criança se afundava mais e mais, nas minhas vísceras. Entrelaçando seus cabelos, entrelaçando seus dedos.
É responsabilidade demais? Olhar por uma criança desperta, consciente de seu despertar, conhecendo o mundo de possibilidades e procurando aquilo que sua alma mais almeja?
Pode-se brincar de Deus quando há mais que magnetismo? Quando um vórtex se cria?
Não sei.
Mas aquela criança noturna me olha a alma. E isso me aterroriza.
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